Encarte do cd do Chinelo de couro cru:
A morte ou o nascimento de uma canção possui hora e objetivo fixo para se explicar? Acredita o usuário do chinelo que sim. De sua irônica e melancólica estética partem suas produções, pois destemido ele é quando toca seu oboé. A confiança necessária que determinadas atitudes pedem, ao se confiar em momentos, vem do desapego ao erro ou acerto. Confia-se no instante e espera-se dele apenas o prazer.
Onde está o maestro nesta banda de fagotes, oboés, marimbas e matracas? em verdade, não passa de mais um mito que fala de heroísmo, de garotos que anseiam em ser homens, nem que para isso paguem uma prostituta. Ainda que paga, a nem sempre desejada mercadora deita-se e faz daquele momento um instante libertário, pois ouvem-se gemidos, grunhidos, exaltações, exclamações e descasos.
Ou seja, nada foi criado. Há tempos que fazem determinadas coisas que envergonham o escrito. De modo que a atenção não deve ser jogada no registro estrangulado, mas sim no que foi feito - interpretado - e no que ainda vai ser produzido.
Movimentos proximos, talvez peçam momentos longínquos, é nesse ponto que o mito entra. Ele aproxima a vida do oboé, o registro do oboé ao ouvido de quem se atente ao oboé.
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