20040428

Eu já devo ter escrito aqui, mas eu estou ficando gagá e os meus leitores provavelmente também, então eu escrevo de novo para aqueles que esqueceram e para os que ainda se lembram... vale a pena (?) ler de novo.

Se eu fosse cineasta biográfico, o que aliás parece ser uma onda brasileira (Mauá, Carlota Joaquina, Caramuru, etc.) eu faria um filme sobre Santos Dumont. Talvez pq ele seja meio maluco, talvez pq ele tenha me fascinado quando eu era pequeno, talvez porque ele tenha morado na França, talvez pq ele retrata a vontade brasileira de ter um ídolo mundial, mas certamente eu faria isso por causa da ignorância com o nosso Alberto.

Pelo que eu me lembre (e repito, eu estou ficando gagá), o paulista Alberto Santos Dummont era filho de um rico fazendeiro, industrial? paulista e veio estudar mecanica na França. Não somente na França como na França da belle epoque. Eu não sei muito bem o que isso significa, mas eu acho que ele cruzava pessoas como Sartres e Pablo Picasso pela rua, dava um pulo na casa dos velhos irmãos Lumiére, e fazia tudo o que tinha que se fazer, mas rapidamente, pois tinha que ser antes da guerra (até pq depois da segunda guerra aquele bigodinho dele iria ficar mal visto).

Enfim, no lugar certo, com dinheiro e sem muito para fazer ele decidiu pensar em um projeto final para o seu curso de mecanica e pensou em balões e aviões (aliás várias pessoas na mesma época faziam experimentos similares, acredito que seria mais ou menos o equivalente à clonagem para os cientistas dos dias de hoje). Enfim, nosso compatriota Dummont tirou a sorte grande e acabou que o protótipo dele não panicou e ele conseguiu sobrevoar a torre eiffel (que naquela época era nova).

Agora tem que ser muito convincente para me convencer que os irmãos wright, com aquela arapuca voadora misto de asa-delta com pedalinho foram realmente as pessoas que inventaram o avião alguns anos antes (eu me lembro que eu fiquei chocado quando o meu avô falou que fez uma conferência apoiando os irmãos wright como inventores do avião).

Fora isso, tem aquela discussão de quem inventou o relógio de pulso se foi Santos Dummont ou Cartier. Eu não sei qual é o resultado mas o Cartier tem lojas espalhadas através do mundo e o Santos Dummont pelo que eu sei tem uma ruazinha no 15eme e um museu em Petrópolis.

Enfim, eu não sei se Santos Dummont foi foda ou se ele deu sorte, mas o fato é que ele representa bem mais do que damos crédito.
O verão começou diretamente sem interseção. Desde a semana passada o tempo está excelente, bastante sol e eu com uma vontade enorme de sair mais e dar uma relaxada no parque. Porém, as minhas provas estão previstas para o final de maio e tenho que me concentrar na revisão das matérias. (Tenho uma prova na segunda, mas é uma prova para fazer em casa, e não conta muito!)

Ontem foi dia de fazer social. Fui na exposição de fotos de uma amiga minha, a Barbara Allain, leitora ocasional do blog. Interessante que era uma exposição de uma pesquisa que ela fez sobre transexuais. Enfim, não entendo muito de foto mas entendo um pouco de reportagens e acho que ela conseguiu retratar bem a vida cotidiana dessas pessoas chocantes da vida noturna. (Esse comentário ficou meio Ana Maria Braga querendo babar ovo de alguém...).

Depois disso fui ver a conferência de um amigo Bjorn Kunoy sobre as relações entre as Ilhas Faroe e a Dinamarca. Interessante a situação dessa ilha entre colonia e território independente. Acho que algum dia no futuro o meu amigo será um heroi nacional das ilhas Faroe.

20040423

Acabo de voltar de Haia na Holanda aonde eu fui com a minha faculdade fazer visitas à Corte Internacional de Justiça, ao Tribunal Penal Internacional e ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iuguslávia.

A viagem de 4 dias foi bacana, destaque para a primeira viagem inteiramente francofônica que eu fiz. Pode parecer um pouco estranho mas eles estranham coisas diferentes do que um brasileiro pensaria. Por exemplo críticas à arquitetura e a comida. Também a maioria das pessoas na turma acharam as mulheres feias.

Particularmente achei Haia feio, mistura de Cabo Frio com Brasília (Haia é a sede do governo Holandês). Passamos uma tarde/noite em Amsterdam, que apesar de todas as espectativas acabou me decepcionando um pouco. Muitas pessoas meio bizarras, muitas prostitutas meio caídas, muitos adolescentes metido à malandrões com camisa de folha de maconha.... Enfim, embora mais barato do que Paris eu tenho que ir novamente para a Holanda para mudar a minha posição sobre o país.
De vez em quando eu leio a coluna do Delfim Neto na UOL. Bem, acredito que o Delfim seja o maior especialista em economia brasileira. Entende como ninguém do assunto e lendo a coluna dele tenho a impressão de que ele sempre está certo.

No entanto eu me lembro que Delfim foi um dos piores ministros do Brasil. Responsável pelo milagre econômico e pelo re-re-relançamento da economia brasileira no início dos anos 80 alimentada pela inflação, Delfim é um dos grandes responsáveis pela hyper-inflação da década passada.

Isso me faz refletir sobre o imediatismo da política e a pressão que a política, sobre tudo em países como o Brasil que não pode se dar ao luxo de pensar à longo prazo, faz para que o saber seja transformado em demagogia.

Acredito que o Palocci saiba do que eu estou falando.

20040418

O GLOBO, 18 de abril

A senhora é criacionista (corrente que segue a Bíblia ao pé da letra)?

ROSINHA: Sou. Não acredito na evolução das espécies. Tudo isso é teoria.

20040416

OS TRAFICANTES ESTÃO CERTOS, QUEM ESTÁ ERRADO É A GOVERNADORA


Mais do que a indignação com a violência, o episódio da Rocinha mostrou que o carioca começa a ficar indignado com o descaso das autoridades.

A banalização da violência no Rio de Janeiro já não choca mais e a guerra do tráfico já faz parte do Rio de Janeiro. Infelizmente isso não choca mais. Pobres assassinados, classe média assassinada, tudo isso cada vez mais perto evoluindo numa progressão assustadora, mas não chocante. Porque no final das contas sabemos que toda essa comoção é momentânea, que todos os projetos, que todas as mudanças todo o "Não dá mais para aguentar!" vai durar quem sabe algumas semana no máximo. Eu já vi esse filme!

A novidade do episódio da Rocinha foi a participação cada vez mais previsível dos políticos no que já está virando um verdadeiro chavão. Graças a Deus a opinião pública está cada vez mais consciente que o problema não é mais os traficantes (simples coadjuvantes no teatro da violência) e sim os políticos. Traficantes, guerra de favelas, a cada mês é diferente mas no final é sempre o mesmo. Um apelido curioso, uma metralhadora de uso exclusivo das forças armadas e um estilo de vida alternativo .... Infelizmente a população civil não pode controla-los diretamente.

Mas a população pode e deve controlar o governador - no caso a hipopotamo rosa, e pressionar para que o teatro não acabe com respostas prontas estilo "a culpa é da prefeitura", "o secretário de urbanismo vai construir muros" e principalmente "vamos pedir mais verbas ao governo federal". O carioca não deve virar refem das autoridades.

E o meu foda-se da semana vai para Rosinha e Garotinho Matheus. Vocês estragaram a minha semana, parabéns!

20040413

The Wall

No que se refere ? viol?ncia a opini?o p?blica ? burra, assim como os pol?ticos.

Explico:

Opini?o p?blica e pol?ticos s?o movidos ? factoides. Quem aparece na primeira p?gina ? alguem que fala besteira mas fala diferente, algu?m que obedece ? m?xima Renato Ga?cho: Falem mal mas falem de mim..

Opini?es coerentes nunca s?o bem vindas ou nunca alcan?am uma repercurs?o normal. O descontinuismo ganha o passo e as id?ias a longo prazo s?o substitu?das por perfumes. Disfar?a o problema mas n?o prop?e solu??o.

Ser? que um muro resolve os problemas do Rio?



20040407

Uma amiga minha me pediu para pegar a letra de "chorando se foi", aquela música do Kaoma. É realmente uma música brega e me faz lembrar de uma época em que Cid Guerreiro era um cara cool com aquele visual saído de um show do Bon Jovi cantando músicas sobre o sol e o mar.

Eu me lembro que em plena minha fase aborrecente rock and roll eu fui passar um mês na Bahia em pleno auge da lambada. Em uma das festas tipo 1 e meia da manhã tava todo mundo dançando lambada e quando acabou a música eu coloquei "Jump" do Van Halen.... Todo mundo foi embora na hora...

O pior é que eu tenho certeza absoluta que um dia essa porra vai virar cool novamente e a galera "muderna vintage" está só esperando um tempo para retomar a moda....

A humanidade está sobre constante ameaça do mal.

20040405

O tédio eu fui sentindo aos poucos enquanto ela ia abrindo a boca para comer. Esperava uma conversa convivial mas cada vez que ela movimentava os musculos da face, sentia uma tensão como se eu tivesse sido o culpado por aquele silêncio. Após 45 minutos, a minha criatividade estava esgotada e eu, apesar de não ter feito nada, estava completamente estafado.

Talvez ela sentisse algum prazer nisso, outra possibilidade seria que ela estivesse apreciando a comida, mas sinceramente o gnocci à bolonhesa que ela pediu só deixava claro à sua disposição de tornar as coisas mais difíceis. Foi então, após toda essa meditação forçada em pleno restaurante que eu me dei conta de que era eu quem estava errado. Era eu o babaca, e até então não havia nada que eu podia fazer a não ser pagar a conta, a minha conta que isso fique claro, e ir embora.

Senti vontade de dar uma porrada na cara dela. Não que eu fosse particularmente agressivo com as mulheres mas somente porque talvez à partir dali as coisas pudessem ficar mais interessantes. Seria definitivamente uma forma de comunicação conveniente para aquela escrota. Um castigo por ela não ter feito nada, falado nada e me condenado à mais uma noite de depressão. Mais uma noite preso em mim mesmo.
Paragrafo 5 da página 48 do fasciculo II do diário de Deus na época da criação do universo:

"... e finalmente criei as mudanças climáticas para que os homens tivessem o que falar entre eles."