Lavando a roupa suja
Hoje eu acordei com uma ressaca animal sendo que o cenário não era dos mais promissores: Garrafas vazias na sala, uma zona animal na cozinha, aquele cheiro de cinzeiro que me dá o maior nojo (eu sei que não existe nenhum motivo teórico para se ter nojo de cinzas, mas eu tenho... e o pior: Eu não tinha mais meia para usar.
Resultado, mesmo de ressaca tive que dar uma de "dona de casa laialaiá-ra-ra" e partir pra briga. Taquei as paradas todas no lixo arrumei mas não limpei (eu tenho um certo orgulho em ter uma casa empoeirada), fui no supermercado, coloquei as roupas na máquina de lavar (desci com o meu mochilão cheio de roupas até a lavanderia da esquina), comprei pão, cozinhei e estou aqui fazendo hora para pegar as roupas de novo. Graças a Deus o proprietário do apartamento comprou uma máquina de lavar louças...
Eu acho que o meu espírito preguiçoso e remanchão me proibe de fazer qualquer coisa ligada a trabalho físico, mas sempre que eu acabo fazendo eu me sinto bem...
Engraçado é que agora que eu estou escrevendo o meu mémoire eu fico pensando que vida do escritor deve ser mais ou menos assim... ficar remanchando até escrever duas ou três páginas por dia.... Eu acho que vou esperar anoitecer para poder escrever as minhas...isso se o download de Kill Bill 2 não estiver acabado.
20040622
20040621
Citando legião Urbana "Palavras são erros, e os erros são seus/
Não quero lembrar que eu erro também".
Enfim estou tentando começar a redigir o meu mémoire. È impressionante como a forma de científica de escrever é totalmente diferente da forma literária. Um amigo meu, metido à escritor frustrado, colocou no mémoire dele a expressão "Disnelândia Jurídica" para designar a OMC. Lógicamente recebeu uma censura por parte da banca dele (mesmo se pessoalmente eu acho que o termo é engraçado).
Por outro lado eu recebi uns artigos recentemente que eram muito ruins. A questão é que vc não pode querer ser literário quando fala de direito internacional ou relações internacionais porque corre-se o risco de ser demasiadamente parcial enquanto a linguagem técnica se propõe a ser muito mais sutil. Li um artigo por exemplo que falava das negociações entre o Mercosul e o Alca em que o autor já começava descascando os EUA. Depois da segunda linha eu tinha a impressão que era um panfleto do Brizola...
Por último quero lembrar que hoje é a festa da música... tem cara de que vai ser mais chinfrim do que os anos anteriores. Primeiro porque está chovendo, segundo porque é dia de semana, terceiro porque tem jogo da França e quarto porque não estão previstas grandes atrações este ano.... Eu acho que são razões suficientes para encher a cara e esperar que o estado alcóolico supra a decadência das festividades.
Não quero lembrar que eu erro também".
Enfim estou tentando começar a redigir o meu mémoire. È impressionante como a forma de científica de escrever é totalmente diferente da forma literária. Um amigo meu, metido à escritor frustrado, colocou no mémoire dele a expressão "Disnelândia Jurídica" para designar a OMC. Lógicamente recebeu uma censura por parte da banca dele (mesmo se pessoalmente eu acho que o termo é engraçado).
Por outro lado eu recebi uns artigos recentemente que eram muito ruins. A questão é que vc não pode querer ser literário quando fala de direito internacional ou relações internacionais porque corre-se o risco de ser demasiadamente parcial enquanto a linguagem técnica se propõe a ser muito mais sutil. Li um artigo por exemplo que falava das negociações entre o Mercosul e o Alca em que o autor já começava descascando os EUA. Depois da segunda linha eu tinha a impressão que era um panfleto do Brizola...
Por último quero lembrar que hoje é a festa da música... tem cara de que vai ser mais chinfrim do que os anos anteriores. Primeiro porque está chovendo, segundo porque é dia de semana, terceiro porque tem jogo da França e quarto porque não estão previstas grandes atrações este ano.... Eu acho que são razões suficientes para encher a cara e esperar que o estado alcóolico supra a decadência das festividades.
20040613
Meu talento começa agora!
Estou com menos coisas pra fazer. Solzinho de verão e Eurocopa 2004. Em geral eu diria que não gosto de assistir futebol pela TV, mas faço uma grande exceção para grandes competições internacionais (copa do mundo e Eurocopa). É impressionante vc pensar que a Englaterra sempre vai jogar aquele futebol safado, a itália sempre instável, a Espanha sempre promete muito e morre no final, etc.
Em resumo, vou assistir quase todos os jogos, vou fazer previsões pela internet (quem quiser tem o site www.euro2004.com) e vou passar um pouco o meu tempo secando os times e sonhando mais uma vez que se eu estivesse em campo eu levaria esse time nas costas (um pouco como o Zidane sempre fez com a equipe da França).
Aliás, na boa... já faz tanto tempo que o Zidane é foda que até esqueço um pouco. Desde o Zico e do Maradona não se vê meio campo tão bom...
Estou com menos coisas pra fazer. Solzinho de verão e Eurocopa 2004. Em geral eu diria que não gosto de assistir futebol pela TV, mas faço uma grande exceção para grandes competições internacionais (copa do mundo e Eurocopa). É impressionante vc pensar que a Englaterra sempre vai jogar aquele futebol safado, a itália sempre instável, a Espanha sempre promete muito e morre no final, etc.
Em resumo, vou assistir quase todos os jogos, vou fazer previsões pela internet (quem quiser tem o site www.euro2004.com) e vou passar um pouco o meu tempo secando os times e sonhando mais uma vez que se eu estivesse em campo eu levaria esse time nas costas (um pouco como o Zidane sempre fez com a equipe da França).
Aliás, na boa... já faz tanto tempo que o Zidane é foda que até esqueço um pouco. Desde o Zico e do Maradona não se vê meio campo tão bom...
20040608
Já que eu estou numa fase de contos eu vou fazer um conto semelhante ao do Peter Pan. Só que sem o Capitão Gancho, sem os piratas e sem o tic-tac (aquele crocodilo que engoliu um relógio)... aliás da história do Peter Pan mesmo só tem o Peter Pan, ou um bando deles.
Era uma vez uma banda que fazia sucesso nos meios universitários americanos, numa onda que culminou por se chamar "alternativa". Basicamente essa onda era marcada por uma certa atitude psicodélica mas ao mesmo tempo punk e também pela pura ausência de unidade, pois a maioria das bandas eram diferentes entre si. Tinhamos então nessa época: Sonic Youth, REM, Violent Femmes, Afghan Whigs, etc.
Bem, a maioria dessas bandas desapareceram. Poucas fizeram sucesso e pouquíssimas fizeram muito sucesso. Dessas pouquissimas a maioria já parou de tocar, e apenas uma delas está fadada a tocar as mesmas músicas que fizeram a 20 anos atrás quando ainda eram selvagens e criativos mesmo se hoje em dia eles sejam gordos, carecas e conservadores em relação à escolha da educação de seus filhos (é impressionante o número de filhos de rockstar que estudam em escolas vitorianas).
Seu público não é muito diferente: Média de idade 27 anos, as vezes tem um jovem perdido no público mas visivelmente ele está um pouco alheio à tudo aquilo. Provavelmente não entende que algum dia aquilo representou uma revolução de alguma forma para todas as pessoas que estavam ali. A diferença é que quando o show terminar, essas pessoas vão embora e não vão mais ouvir aquelas músicas durante um bom tempo, enquanto a banda está condenanda a ganhar rios e rios de dinheiro pregando uma coisa que ela não acredita mais.
Ontem eu fui no show do Pixies. Algumas conclusões:
1. Eu entendi porque o Grateful Dead não significa nada pra mim.
2. Desde o momento em que nossos brinquedos eram muito mais interessantes do que a vida real, a nossa geração estaria condenada a ser eternamente adolescente.
3. Sempre que eu vou a shows eu entendo porque os Stones pararam de tocar Satisfaction em suas turnes nos anos 80.
Era uma vez uma banda que fazia sucesso nos meios universitários americanos, numa onda que culminou por se chamar "alternativa". Basicamente essa onda era marcada por uma certa atitude psicodélica mas ao mesmo tempo punk e também pela pura ausência de unidade, pois a maioria das bandas eram diferentes entre si. Tinhamos então nessa época: Sonic Youth, REM, Violent Femmes, Afghan Whigs, etc.
Bem, a maioria dessas bandas desapareceram. Poucas fizeram sucesso e pouquíssimas fizeram muito sucesso. Dessas pouquissimas a maioria já parou de tocar, e apenas uma delas está fadada a tocar as mesmas músicas que fizeram a 20 anos atrás quando ainda eram selvagens e criativos mesmo se hoje em dia eles sejam gordos, carecas e conservadores em relação à escolha da educação de seus filhos (é impressionante o número de filhos de rockstar que estudam em escolas vitorianas).
Seu público não é muito diferente: Média de idade 27 anos, as vezes tem um jovem perdido no público mas visivelmente ele está um pouco alheio à tudo aquilo. Provavelmente não entende que algum dia aquilo representou uma revolução de alguma forma para todas as pessoas que estavam ali. A diferença é que quando o show terminar, essas pessoas vão embora e não vão mais ouvir aquelas músicas durante um bom tempo, enquanto a banda está condenanda a ganhar rios e rios de dinheiro pregando uma coisa que ela não acredita mais.
Ontem eu fui no show do Pixies. Algumas conclusões:
1. Eu entendi porque o Grateful Dead não significa nada pra mim.
2. Desde o momento em que nossos brinquedos eram muito mais interessantes do que a vida real, a nossa geração estaria condenada a ser eternamente adolescente.
3. Sempre que eu vou a shows eu entendo porque os Stones pararam de tocar Satisfaction em suas turnes nos anos 80.
20040604
Por falar em gigantes, está tudo ficando pequeno. Primeiro foram os dinossauros, depois os gigantes depois a "grandeza" como objetivo. As grandes invenções, as grandes expedições, as grandes guerras, os grandes filósofos, os grandes clássicos da literatura, as grandes safras, até a grande muralha da China vai desabando aos poucos com a entrada da China na OMC.
Está tudo ficando menor! Os processadores, os videogames, o tempo do trajeto Paris-Nova Iorque. Estamos destinados a viver em um mundo de formigas. E Deus, do alto de sua nuvem cósmica vai se distanciando e vendo o mundo ficar cada vez menor como um avião que vai deixando o aeroporto de partida.
Está tudo ficando menor! Os processadores, os videogames, o tempo do trajeto Paris-Nova Iorque. Estamos destinados a viver em um mundo de formigas. E Deus, do alto de sua nuvem cósmica vai se distanciando e vendo o mundo ficar cada vez menor como um avião que vai deixando o aeroporto de partida.
20040603
O VELHO CELTA E AS LENDAS CÉTICAS
Um breve relato do acontecido:
"A primeira vez que eu vi o gigante, ele apareceu no vilarejo para falar que estava indo matar o dragão que assolava as redondezas. Na boa que estava todo mundo cagando pro gigante e pro dragão. Mas mesmo assim o gigante provavelmente para se sentir querido na aldeia pos na cabeça que aquilo iria faze-lo ser aceito socialmente. Aliás essa foi provavelmente a primeira e ultima vez que eu vi o gigante....
Agora: Das duas uma. Ou o gigante está morto ou virou namoradinha do dragão. De qualquer forma o dragão também desapareceu. Dizem que foi um anão que envenenou a comida do dragão, mas também não posso acreditar nisso pois foi a amante dele (imagina! ser amante de um anão!) que espalhou a versão da história para todos.
O fato é que quem ficou popular com essa história foi o dragão que apareceu com um passado glorioso de dragão temido e perigoso. Coisa que ele nunca foi, até porque pra mim aquele dragão morreu de velhice ou de tédio..."
Um breve relato do acontecido:
"A primeira vez que eu vi o gigante, ele apareceu no vilarejo para falar que estava indo matar o dragão que assolava as redondezas. Na boa que estava todo mundo cagando pro gigante e pro dragão. Mas mesmo assim o gigante provavelmente para se sentir querido na aldeia pos na cabeça que aquilo iria faze-lo ser aceito socialmente. Aliás essa foi provavelmente a primeira e ultima vez que eu vi o gigante....
Agora: Das duas uma. Ou o gigante está morto ou virou namoradinha do dragão. De qualquer forma o dragão também desapareceu. Dizem que foi um anão que envenenou a comida do dragão, mas também não posso acreditar nisso pois foi a amante dele (imagina! ser amante de um anão!) que espalhou a versão da história para todos.
O fato é que quem ficou popular com essa história foi o dragão que apareceu com um passado glorioso de dragão temido e perigoso. Coisa que ele nunca foi, até porque pra mim aquele dragão morreu de velhice ou de tédio..."
20040602
Foi no outono passado que eu vi uma vaca na rua aqui no Marais. Percebi algo estranho com aquela vaca meio desengonçada. Em principio ela aparentava ser uma vaca normal, até que mais gordinha do que as normais, e com uma mancha preta no meio da pele.... (Acho que essa raça se chama vaca zebu, não sei!). O fato é que após alguns segundos de intensa observação eu vi que aquela vaca tinhas as suas próprias ambições. Ela queria mais do que as outras vacas... ela queria ser gente! Não só queria como achava que era....
Vendo o absurdo de toda essa desconexão com a realidade, resolvi tentar fazer ela mudar de idéia:
- Mas D. Vaca, vc não pode ser um humano, vc não parece um humano, vc não faz as coisas que um ser humano faz! Vc é uma vaca porra!
A vaca cagou (literalmente) para os meus argumentos. Ela continuava estacionada ali, na Rue de Bretagne... cagando, ruminando e mugindo exatamente como uma vaca que estava querendo disfarçar as suas ambições de se tornar humana.
Vendo o absurdo de toda essa desconexão com a realidade, resolvi tentar fazer ela mudar de idéia:
- Mas D. Vaca, vc não pode ser um humano, vc não parece um humano, vc não faz as coisas que um ser humano faz! Vc é uma vaca porra!
A vaca cagou (literalmente) para os meus argumentos. Ela continuava estacionada ali, na Rue de Bretagne... cagando, ruminando e mugindo exatamente como uma vaca que estava querendo disfarçar as suas ambições de se tornar humana.