20021128

ANALISANDO NOTÍCIAS

Bem, eu pensei que dessa vez o Fluminense não fosse superar o S. Caetano. Como tricolor eu acompanho a sina do meu time a algum tempo. Meu sonho não é que o Flu conquiste nada, eu queria ver somente o meu time nas libertadores (não sei pq mas isso é um tipo de fetiche futebolistico pra mim) e, como é necessário estar na final do Brasileiro ou na final da Copa do Brasil para ser convocado, o fluminense nunca vai, pq chega na semifinal e perde....

Quanto a empregada que bateu na velha.... taí uma coisa que eu acho que a justiça nunca vai conseguir controlar. Realmente não tem como não sentir ódio da empregada, mas a raiva pelo cliente é um mal psicológico universal que os sorrisos cínicos e "O Sr. deseja algo mais" nunca vão conseguir esconder. Basta ver o número de files mignons cuspidos, de bolos de chocolate cagados, de sopas de legumes enlatadas cheias de vomito e de caseiros que participam de sequestros. Vc acha que a sua empregada está feliz de trabalhar com vc? Hahaha, ela está tão feliz de trabalhar pra vc quanto vc está feliz em trabalhar para o seu chefe....

Bem, eu não sei o que Bin Laden está pensando mas eu me sinto ludibriado. Após um bem sucedido ataque em NY o barbudo só se contenta com ataques ao terceiro mundo? Filipinas (ou foi indonésia?) agora o Quenia.... Será que ele faz isso pq sabe que esses países não vão contra atacar (até pq os alvos são mais ou menos americanos) ou pq ninguém vai sentir pena de explosões em paises que ninguem conhece....(ao contrário do World Trade Center em que eu vi muitos brasileiros tomados por uma comoção desconhecida, eu não vi ninguém ficar emocionado pelo ataque ao Quenia).

Por último é gente como o César Maia que faz o Brasil (e particularmente o Rio) ser a capital do irracional. Guerra aos Fast Foods? Bem, quando o prefeito da cidade ataca empresas que pagam impostos normalmente e colaboram para o desenvolvimento do comércio na região, alguma coisa está errada....(seria algum envolvimento em um investimento de uma rede de restaurantes de comida saudável?). Cade a liberdade do comércio e da indústria? Cade o respeito com o investidor. Para o César Maia o meu respeitoso "Vai tomar no cú!" do dia.

20021127

De qualquer forma, todo esse pessimismo é expresso nos ultimos discos que tenho ouvido. O último do Coldplay - a rush of blood to the head - por exemplo. Eu nunca fui muito fã de Coldplay, mas basta dar uma escudada em "god put a smile upon your face" para se sentir bem... Sim, o Coldplay é como o Radiohead em "the bends" em todos os seus discos, mas o que importa?

Tem também o novo do Beck, que eu escutei algumas musicas e me amarrei. O novo do Sigur Ros, pior do que o anterior, mas bom tb. A musica da Madonna no 007 é excelente.

Mas o disco que mais me surprendeu foi o do Foo Fighters. Eles realmente amadureceram. Do último disco eu indico "Low", "Times Like these" e "All my life".

Fora esses discos, tenho escutado tb um mais velho que para mim já é um clássico. PJ Harvey, Stories from the city, Stories from the sea. Tem uma música que é um dueto com o vocalista do radiohead "The mess we're in", tem tb "We Float" e "Good fortune". A dica é baixar esse disco da PJ inteiro e deixar tocando enquanto vc faz uma outra coisa... Vc vai ver que quando vc se acostumar vc vai achar o disco fodão....

O outro que eu tava ouvindo um tempo atras (agora parei um pouco) é o Shangri-la dee da do Stone Temple Pilots, se não me engano é o último disco e o mais desconhecido deles, e lógicamente, logicamente o melhor. "Black Again", "Hello, it's late" e "And so I know" são excelentes.
O NOVO BLUES

Não sei se é reflexo do pessimismo pós 11 de setembro, mas eu sou da opinião de que o mundo ficou mais sobrio. Se no Brasil nos temos o Lula (que para muitos representa uma esperança) no cenário internacional reina a sobriedade e a falta de espectativas.

Os países do 3 mundo não se consideram mais "em desenvolvimento" depois da crise argentina. Se o 11 de setembro expos as diferenças do mundo atual e mostrou os detritos da globalização, ele também desencadeou em uma guerra em que não vale a pena ficar de nenhum lado.

Bem, ninguém quer apoiar terroristas que tem com seus pensamentos extremistas tornam vidas humanas inúteis em gestos covardes. Por outro lado fica difícil apoiar um país que demonstra a sua hipocrisia e a sua arrogância em cada ato de sua política internacional.

Se formos para o lado da Europa, o sonho da União Européia se afunda no grande problema de que para se ter beneficios sociais é preciso riquesa para distribuir. Reformas necessitam de riqueza, riqueza necessita de tempo para produzir e a produção de riquezas gera injustiças.

Eu acho que o cenário político atual está mais sóbrio. A globalização, a internet, a possibilidade de desenvolvimento dos paises do 3 mundo, a defesa do meio ambiente, a paz mundial, tudo isso virou um desejo ingênuo. E quando nossos sonhos estão parecendo mais e mais ingênuos, isso é mal sinal.

20021125

Hoje eu vi o novo filme do 007. Porra, finalmente acertaram a mão. Depois de eu ver Golden eye (decididamente o pior filme da série) e o Tomorrow Never Dies e o penúltimo eu já estava me achando velho para 007. Mas realmente este filme inova geral o conceito do 007, pegou o espírito dos melhores filmes e faz do James Bond um cara engraçado e ao mesmo tempo soturno e sofrido. (Quem viu aquele 007 com o ator australiano -que só fez um filme- sabe do que eu estou falando!). Sinceramente este 007 vale a pena ver.

Destaque para a musica da Madonna, que cercada dos melhores produtores honra a tradição de musicas fodonas do 007.
Bem, assumo que sou um cara indeciso. O engraçado é que até pouco tempo atrás eu não achava que era tão indeciso assim, até que eu perdi oportunidades por querer todas as oportunidades.

Agora por exemplo tinha decidido que iria me concentrar no estudo para me tornar o cara mais fodão em direito internacional do universo e eis que me ligam de um escritório para fazer um estágio. Eu estava decidido a falar não, mas a mulher falou com tanta convicção que eu não quis cortar a onda dela. Depois que eu desliguei o telefone comecei a pensar melhor no estágio e fiquei boa parte do dia pensando que ia ser a boa. Até que acabei mantendo a minha decisão e amanhã vou ligar pra mulher pra falar que eu não vou querer o estágio (embora eu gostaria muito de não precisar dormir e fazer o estágio e o curso).

20021123

Taí uma coisa que eu não entendo. As maiores empresas do mundo gastam bilhões em pesquisas. Hoje em dia pesquisa mercadológica significa criar necessidades. Então existem umas 10.000 pessoas no mundo, estudantes de excelentes universidade, empenhadas agora em CRIAR NECESSIDADES.

Ai, chega um brasileiro (provavelmente carioca) sem nada para fazer e decide sair para ajudar os carros a estacionar em troca de uns trocados e ele ainda "toma conta" do carro. O PRIMEIRO FLANELINHA criou uma profissão. Ele visualizou ali uma necessidade e, como eu sempre falo.... Entre ser reconhecido pela sua genialidade (reconheçamos, o primeiro flanelinha foi um gênio) e ser carcomido pelo desprezo, só existe o acaso.

Então, se o primeiro flanelinha do mundo poderia ser relevado a irredundancia para o mundo moderno se o primeiro motorista "cliente" fala-se.... "Valeu meu irmão, te pago na volta!".
Eu acho que após o primeiro ano fora do Brasil eu estou realmente perdendo a noção em várias coisas. Uma das coisas. A primeira é moda. Pra mim todo mundo no Brasil usa as mesmas coisas que as pessas usam aqui. E bem ou mal aqui dá pra andar com qualquer roupa que ninguém dá a mínima.

A segunda coisa é flanelinha. Minha mãe brincou hoje dizendo que precisava de um flanelinha para ajudar um carro que estava estacionando e eu vi o absurdo que é um flanelinha e o quanto eu estou desacostumado com isso.
Bem, hoje eu fiz uma coisa que eu acho que eu nunca faria na minha vida. Fiquei uma hora em uma fila debaixo de uma chuva (rasoavelmente pesada) para ir em uma biblioteca.

20021120

Eu li no globo que Jalla Jalla está em cartaz no Brasil. É um filme sueco que eu vi a algum tempo atras e é o famoso entre legal e o nada demais. Recomendo para quem estiver de bobeira.

HOje eu vi uma produção franco-tupiniquim "Romance entre a terra e a água". É um documentário sobre a seca do nordeste, a questão da seca e coisa e tal. Percebi que o nordeste é o Holywood brasileiro. Cada "caboclo" daqueles deve ter mais curriculo em cinema e tv do que muito artista famoso.

Tirando isso, vem de novo o problema da terra. Direito à propriedade ou direitos sociais? Os dois direitos são considerados como de 2 geração nos direitos do homem. Eu cheguei a uma conclusão (baseada em um estudo muito longo que eu fiz e que não quero mostrar aqui) que a propriedade (e seus limites) é uma questão estatal, que não pode ser influenciada pela ordem internacional, ou seja isso é um problema brasileiro.

Fora isso, o filme mostra uma excelente versão de "cio da terra" do Milton Nascimento. Quem me conhece sabe que eu odeio MPB, mas realmente no documentário a música é muito bem posta, ficou perfeita.

O filme é sobre o amor entre a terra e a água. Basicamente ele quer transmitir pelos depoimentos de pessoas que dependem da chuva (os nordestinos) o sentimento de que a chuva quando cai na terra é uma forma de sexo.
Interessante na teoria, mas realmente estes filmes costumam ser muito sutis nas idéias e vc fica mais preocupado com a falta de dentes das pessoas do que com as idéias de fundo.

Eu acabei vendo esse filme primeiramente pq é nacional e segundo pq a outra opção era ver um filme no cinema que se chamava "as árvores" e aparentemente não tinham atores, só arvores....
Sinto que o meu blog está igual ao botafogo, visivelmente pior a cada dia e não há nada que possa ser feito!

20021118

Paralelamente a essa tendência de especialização, eu estou experimentando uma coisa que eu já desconfiava.... Sozinho pensa-se muito mais do que acompanhado. Minha mãe está me visitando e quando eu não estou estudando eu estou com ela. Então basicamente eu não penso tanto quanto penso quando estou sozinho...

É estranho isso, mas me dá a impressão de que:
1) tenho que ficar sozinho para pensar
2) No Brasil eu não pensava pq não estava sozinho
3) Falar com pessoas é uma perda de tempo (se analizado por um determinado angulo!)

Por outro lado, tenho que admitir que estar ao lado de outras pessoas dá mais estímulo para fazer as coisas....
Eu estou passando por uma tendência de especialização do meu pensamento. Isso significa que vou concentrar todos os meus esforços em direito internacional para ver se eu fico realmente muito foda em alguma coisa nesta vida...

Eu acho que essa tendência de especialização é uma coisa que passa desapercebida pela cabeça de todas as pessoas que eu conheço que fazem jornalismo. É impressionante como os jornalistas conseguem dominar a arte de saber todas as coisas mais do que os especialistas... Eu passei muito tempo tentando fazer isso, mas decidi que realmente eu preciso me especializar....

Resultado final é que o meu blog não está tão interessante quando poderia estar. Eu ainda não tenho condições de escrever um blog sobre direito internacional então eu só posso escrever sobre os poucos pensamentos que eu tenho quando não estou pensando em direito internacional... Porra e o Fluzão heim!!!!

20021117

Um amigo meu me deu de presente um vôo de planador. Ganhei tb um cd de jazz e uma garrafa de vinho St. Emilion.... Bacana! os presentes estão ficando mais criativos...
Ontem eu fiz uma festinha em um pub. A grande parada é que não podia reservar mesas então eu cheguei lá sozinho e peguei uma mesa grandona no subsolo e fiquei tipo meia hora tomando uma guiness fazendo pose de cara largado pela mulher...

Ai começaram a chegar os amigos e, evidentemente os brasileiros chegaram por último. Acabou indo relativamente bastante gente incluindo umas pessoas levadas pelos amigos (que inclusive perguntaram se os amigos poderiam ir (!?!?)).

O mais estranho é que mais uma vez percebi que tenho grupos diferentes aqui que não se conhecem ou não se gostam muito, o que é um pouco chato, apesar de ontem alguns terem se conhecido um pouco.

20021113

Li um pequeno artigo do Rudolph Giuliani. Bem, é engraçado como todos pensam que o cara é um gênio e eu considero o cara um .... pulha.

Bem, não a nada mais demagogo do que tirar os puteiros e sex shop de uma cidade e deixar rolar os puteiros de luxo. Não há nada mais demagogo do que limpar a cidade dos traficantes quando todo mundo sabe que continuam usando drogas da mesma forma.

Então qual a inovação do Programa de Tolerância Zero a não ser fazer que as pessoas que joguem papel no chão paguem um preço muito caro por isso.

Bem, na França o que rola é a Tolerância 10. O traficante pode vender, desde que seja em um dado local e não use armas, os puteiros estão todos lá todos os tipos para todas as classes economicas, ninguém vai te reprimir se vc pular a roleta do metrô (lógicamente isso é uma unwritten law) Agora, uma coisa é certa... ninguém usa arma, ninguém mata ninguém, abusos não são tolerados pq senão o bicho pega..... E assim todos ficam mais felizes.... Não só os ricos, não só os ultraconservadores...
Sexta feira faz um ano que estou aqui em Paris. Começo a perceber que tudo na vida é como namoro. Vc pode namorar a Claudia Schiffer que depois de algum tempo vc vai estar vendo uma gordurinha ali, um peitinho caido aculá....

É por isso que eu digo, se acostumem com coisas ruins, pq se acostumar com coisas boas além de caro não dá a oportunidade de variar....
Bem, passei a marca das 2000 visitas em menos de um ano de blog. Legal...

Me faz pensar que eu realmente tenho 4 amigos que não tem muito o que fazer e acessaram 500 vezes o blog cada um...

20021109

Bem, eu acho que de 6 meses pra cá os meus problemas continuam basicamente os mesmos... Estou estagnado e não tenho como mudar. Todas as soluções implicam em uma mudança 166,3 graus na minha vida, algo que não estou disposto a pagar o preço.

Eu não estou disposto por exemplo a abandonar 8 anos de faculdades de direito para ser DJ (até pq vou ter que passar 2 anos aprendendo a ser DJ) mas de qq forma é meio frustante vc saber que ainda falta um certo caminho a ser percorrido (no minimo 7 meses) antes de vc ter a formação que vc quer.

Em 8 anos de faculdade eu fiz uma entrevista para estágio para ganhar 430 euros por mês. Tudo bem, é em Paris, tudo bem, é em euros... Mas porra! Eu nunca ganhei mais de 1000 reais por mês! E a minha opção pelo direito se deve unicamente por causa do ---- dinheiro ----.

É foda estar em uma carreira 8 ou 80. Tudo bem, e ai algum dia tem a possibilidade de chegar ao 80 e eu ganhar bastante dinheiro, mas eu realmente não preciso de bastante eu soh quero algum dinheiro meu e um reconhecimento por todos esses anos que inclua não ser chamado de estagiário e um cheque de 4 dígitos no final do mês que me permita comprar um PS2 e cagar grana de vez em quando.

Dei um tempo nos livros. Agora estou lendo só livros de direito. Comecei a fazer essa pos de direito internacional e agora estou bastante empolgado, o direito internacional é muito mais bacana pq é alguma coisa que as pessoas admitem que não é uma estrutura lógica e completa. O direito internacional tem falhas e problemas esperando solução, enquanto o direito comercial é uma coisa lógica e completa e isso transparece nos professores que, enquanto os de direito internacional são muito mais "cientistas malucos experimentadores" os de direito comercial são "detentores da razão (part time), já que ocupam a maior parte do tempo lambendo o cú dos clientes. As decisões de d. com. falam sempre a mesma coisa, nada muda, nada é inovador.....

A além disso, não existe nada melhor do que estudar no Pantheon. É realmente muito bacana...

20021108

Karma Police

Sinistra essa historia da filha que matou os pais.

O interessante é que um dos motivos alegados é que os pais não gostavam do namorado da filha, mas a partir do momento que eles os mataram, eles tinha um certo motivo para não gostarem dele, o que acabava sendo um ciclo vicioso muito dificil de sair.

Tem aquela teoria espirita que as pessoas tem Karmas e tem que supera-los para passar a um estágio de vida mais avançado. Bem, eu não sou a Karma Police, mas essas garota foi reprovada.

Come back again next life......


20021107

Assim que eu cheguei em Paris, um brasileiro que vivia a muito tempo no exterior me perguntou, vendo a minha empolgação, a quanto tempo eu estava aqui. Eu estava a alguns meses e falei que de repente gostaria de trabalhar e coisa e tal... e depois ele falou que depois de 1 ano eu me acostumava e que iria começar a sentir falta do Brasil.

Faz praticamente um ano que estou aqui (cheguei dia 15 de novembro) sem voltar para o Brasil. Tenho que confessar que já me acostumei com a maioria das coisas (a frieza das pessoas de um lado negativo até com uma cidade sem violência de um lado positivo) e estou meio de saco cheio.

Passados alguns meses já sentia bastante falta da minha família e dos meus amigos, na verdade queria trazer todos pra cá. Mas agora estou realmente com saudade do Brasil, de churrascaria e de paraibada. Atualmente quanto perguntam se eu quero ficar aqui, dificilmente respondo que sim. Acho que passar um mes no Brasil em dezembro vai vir em boa hora.

20021105

Bem, este fim de semana foi legalzinho. Rolou uma festinha na casa de uma amiga de um amigo meu em que foi uma mulherada bacana. Tinha muita mulher e eu estava particularmente solto e agradável (logicamente entorpecido pela uva fermentada) e o dia parecia ser do caçador. No entanto, tal como cinderellas correndo para pegar o último metrô, a 12h todas as mulheres (e os poucos homens) da festa foram embora sobrando apenas um trio de venezuelanos dançando uma música que era uma droga (algo tipo lambada), eu, meu amigo e a dona da casa. Enfim....

No domingo, que aparentemente era pra ser um dia morto, eu fui com dois amigos em um show de Jazz em um pub aqui perto porque era "de gratis". Em geral não gosto muito de jazz, e tirando alguns standarts não tenho muita paciência. Mas, sou sincero o suficiente para admitir que, talvez herança dos Free Jazz do passado, assimilo jazz a um bom ambiente e pessoas (mulheres) bonitas. E foi exatamente o que aconteceu no bar. Rolou uma Jam Session a noite toda num ambiente bem legal.

No sabado fui na casa de um amigo meu para uma soiree fromage. Cheguei com uma amiga e so tinha uma outra mulher lá além de 4 homens. Bem, logicamente a outra mulher era francesa e não abriu a boca um minuto e sequer dirigia o olhar para outro lugar que não fosse a parede. SInceramente, qual a graça em ser escrota?

20021101

Concluindo, a Europa em geral e a França em particular é a terra da liberdade (na minha opinião bem mais do que nos EUA) mas tb é a terra da falta de espectativas visto que ao tornar o conhecimento como um valor supremo, as pessoas tem que admitir que só vão ter valor para a sociedade quando se tornarem velhas (o que demora anos, claro!) ao contrário dos EUA e do Brasil, quando o valor maior da sociedade é ter dinheiro (o que pode acontecer da noite pro dia - loteria, um emprego fodão, uma herança, virar atriz-cantora-modelo).
Essa mesma lógica é muito engraçada na sala de aula quando o professor faz uma pergunta NINGUÉM RESPONDE (em geral quem começa a responder são os estrangeiros) porque as pessoas estão inseguras quanto as suas próprias convicções e quanto a relatividade dos seus conhecimentos.

Quando alguém responde é uma resposta técnica, grossa e sem nenhuma opinião mais ousada, pessoal.

Isso faz um contraponto com a pos graduação que eu estava fazendo no Brasil (sobre materias similares) em que o professor começava a falar todo mundo levantava o dedo para falar qualquer coisa (desde que não tivesse NADA a ver com o que o professor estava falando).
Ontem, após ter bebido duas taças de vinho com um pessoal, voltei pra casa pra dormir e botei Mogwai e rolou uma viagem alucinante.

Basicamente as pessoas estão presas pela propria complexidade do mundo, o mundo é sem expectativas exatamente porque ele criou-se expectativas demais. Hoje em dia uma criança (no sistema europeu) que não tem nota boa no lycee não pode passar para uma universidade maneira aonde vai COMEÇAR seus estudos. Um advogado aqui estuda 4 anos de base mais um ano na escola de advogado, mais um ano pelo menos no DEA, mais um ano em Ecole de Commerce isso se: Passar em todas as matérias, tiver dinheiro, não ficar doente, for aceito em todas as escolas, etc. Isso para começar a pensar, muitas vezes depois de todos esses anos a pessoa tem uma pratica de poucos meses.... ou seja a pessoa fica presa em toda a complexidade do seu proprio saber é como se após anos e anos de estudos em um conservatório de musica estudando harmonia musical alguem te desse uma guitarra e falasse "Compoe ai uma musica punk pra mim...".

Enfim, toda a lógica do mercado (ao menos francês - no Brasil essa logica eh totalmente diferente) está partindo dessa premissa burra de que o cara tem que ser super ultra fodão em teoria para começar a nadar...

Bem, isso é meio deprimente, mas apos anos e anos e anos estudando, sinceramente vc não consegue pensar em entupir o cu de dinheiro porque vc acaba ficando meio filosófico e coisa e tal... e ai apesar da sociedade ficar presa a valores como cultura e estudos, a economia fica estagnada e um cara com mestrado pode ficar bolado porque está "fora do mercado".

Enfim, essa idéia que eu desenvolvi agora em alguns minutos está meio confusa mas quem fizer um esforço consegue entender. Aqui um cara teria que fazer um doutorado "A Logica de mercado e a moral francesa" para dizer a mesma coisa, de uma forma muito mais complicada (tudo bem mais solida pode ser) mas que NINGUÉM ia ler.
É foda essa parada de pressão para estudar. Eu até não vejo problemas em estudar, o foda é esse negócio de prazo... Tipo o meu trauma com matemática, era tudo muito psicológico.... Hoje em dia eu entendo a matemática (tipo as idéias essenciais) e até gosto. O foda é que a instituição acadêmica é tão contrária a avanços, a idéias novas, a simples criação que é foda. Atualmente vc tem que ter pos doutorado para começar a criar alguma coisa diferente e mesmo assim preocupado com os olhares do mundo acadêmica. Cade a experimentação? Cade a inovação? (ver o proximo post).
Bem, ontem foi embora a ultima das gregas da primeira safra, a Tina. Para quem não está por dentro dos fatos, no primeiro ano que passei aqui em Paris meus melhores amigos eram um grupo de gregos, 3 mulheres e 1 homem que voltaram todos para a Grécia após acabarem os estudos. Foi bacana porque ninguém tinha nada em comum com os outros, uma era super cdf, o cara era super careta, a outra porra louca e a outra meio patricinha intelectualizada. É uma pena pq sabemos que nunca mais vamos conviver juntos de novo na mesma condição que vivíamos aqui (que era uma condição provisória por essencia).

Agora a unica grega que eu conheço é a irmã da Tina que está estudando aqui.