No começo eu não gostava dela. Achava ela muito pequena, magra, sem sal e ela não falava muito. Eu passava o meu tempo a tentar faze-la rir. As vezes ela ria, mas na maioria das vezes ela ficava impassiva. As vezes ela dizia algo sobre eu ser muito imaturo ou muito criança.
Mas debaixo de todos esses defeitos fui percebendo que ela tinha uma característica muito rara que para mim, naquele momento, era algo muito valioso. Ela me dava total liberdade para fazer o que eu queria. Ela tinha um grau de auto confiança bastante elevado e isso era bastante interessante.
Exceção desse grau de confiança bastante elevado e alguns outros aspectos que sinceramente eu não me lembro agora, ela era muito diferente de mim. Não eram aquelas diferenças que dão um certo charme à relação, eram diferenças conceituais em relação à vida. Questões cotidianas mas até certo ponto filosóficas e centrais à questão. Ela gostava de jazz e eu gostava de rock.
No começo eu achava charmoso pois dava um certo ar que eu não estava acostumado. Mas eu fui descobrindo que o jazz estava em toda a parte. Nas suas roupas, na sua cozinha, no seu jeito minimalista de se expressar, nas suas opiniões?. E quanto mais jazz eu via que ela era, mas eu escutava Stone Temple Pilots.
Chegou uma determinada hora que eu não estava mais aguentando as nossas diferenças psicologicas serem curadas por representações filosóficas na cama. Mas ela estava indo embora daqui a algumas semanas.
E foi. Não fiquei triste quando ela partiu, por outro lado também não fiquei feliz. Nunca mais escutei Stone Temple Pilots depois disso e confesso que as vezes escuto o cd de jazz que ela me deu.
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